terça-feira, 8 de maio de 2012

Os Antecedentes e a Batalha de Aljubarrota


A batalha de Aljubarrota faz parte do fim do interregno que assolou Portugal no final do século XIV. O rei Juan I de Castela queria Portugal como sua província, todavia, e apesar de ter o apoio da maioria da nobreza lusitana o Clero e o Terceiro Estado não estavam de acordo com esta situação e mostravam-se preparados para defender a sua nação do inimigo castelhano.
A crise iniciou-se no ano de 1383 após a morte de D. Fernando. A situação era crítica uma vez que não existia filho varão e o único descendente era d. Beatriz, casada com D. Juan I de Castela. Segundo o Testamento deixado D. Leonor de Teles deveria reger o reino até D. Beatriz ter um filho varão e este seria o futuro rei de Portugal. Desde cedo que o testamento não foi cumprido. O rei de Castela ambiciona Portugal e exige à Rainha que aclame D. Beatriz como rainha de Portugal. A alta nobreza portuguesa e os alcaides das cidades reconhecem D. Beatriz como rainha, contudo o povo das cidades e vilas exige que D. João filho de D. Inês e D. Pedro seja rei de Portugal, para evitar mais um inimigo o rei de Castela manda prender D. João filho de Inês e Pedro. A situação permanece bastante instável pois na corte o grupo que apoia Castela começa a rodear a rainha e a influenciá-la. Um dos homens com maior poder de influencia é João Fernandes Andeiro. Tinham já existido inúmeras tentativas de assassinato, todavia todas tinham falhado, tornando-se mais difícil matar o conde Andeiro. Durante o início do interregno procurou-se convencer o Mestre a liderar uma tentativa de assassinato ao conde. No princípio o Mestre hesitou, pois estava com receio das consequências. O Mestre procurou vários apoios, dentro da nobreza, como do oficialato. Conseguiu importantes apoios, entre eles destacou-se o antigo chanceler de D. Pedro e de D. Fernando. No dia 6 de dezembro de 1383 o conde Andeiro é morto pelo Mestre e por Rui Pereira. O povo foi mobilizado, uma vez que fizeram crer que o Mestre estava a ser atacado por opositores no Paço Real.
Os dias que se seguiram foram tumultuosos, os partidários do mestre tentaram um acordo com a rainha, mas este não foi possível. O povo pedia um líder e o mestre reuniu toda a população em São Domingos e aceitou ser regedor e defensor do reino. No dia seguinte realizou-se uma reunião na qual os líderes da cidade de Lisboa reconheceram o mestre.
Durante o ano que se seguiu o mestre enfrentou inúmeras batalhas e cercos. A capital do reino esteve cercada durante algum tempo contudo os castelhanos acabaram por desistir devido ao surto de peste que afectou o exército castelhano. O exército castelhano acabou por abandonar Portugal.
No ano de 1385 reúne-se as cortes de Coimbra com o objectivo inicial de arranjar fundos para a guerra. Rapidamente colocou-se o problema de ser necessário um rei para liderar o reino e comandar os destinos da Guerra.  Existiam três pretendentes ao trono. Os filhos de D. Pedro e D. Inês, o rei de Castela e ainda o regedor e defensor do reino D. João.
Perante estas três situações o doutor João das Regras tinha de actuar. Para João das Regras a hipótese mais  viável e correcta para o reino era o Mestre de Avis. Para explicar tal opinião João das Regras apresentou duas ideias fundamentais.
Para este doutor apenas o mestre era a escolha indicada para subir ao trono, uma vez que os infantes não eram filhos legítimos do rei D. Pedro pois este nunca casara com D. Inês. D. Beatriz não era também a mais indicada uma vez que estava casada com o rei inimigo, o mesmo rei que invadira Portugal e não cumprira o Tratado de Salvaterra de Magos.
Após um mês de intensa discussão entre os partidários dos infantes filhos de Inês e os aliados do mestre convocaram-se eleições nas cortes como forma de decidir o futuro rei. O mestre foi aclamado rei em Abril de 1385, passando a ser D. João I. Durante estas cortes decidiu-se também que os concelhos contribuiriam com 400 000 libras para a guerra todavia os concelhos reivindicaram mais direitos que na sua maioria foram aceites pelo novo rei.
Após um difícil batalha jurídica o rei e Nuno Álvares Pereira concentraram-se em derrotar os seus adversários. Inicialmente o rei enviou o condestável para o Douro e para o Minho onde conquistou vários castelos, como Viana ou Neiva.
Também o rei partiu para norte após cercar e conquistar o castelo de Coimbra. No norte do país o rei conquistou Braga e Guimarães. Em Lisboa as movimentações de tropas eram cada mais frequentes. Por um lado os Ingleses desembarcavam arqueiros experientes, por outro lado os castelhanos cercavam por via marítima a cidade e abasteciam as comarcas que apoiavam o rei de Castela.
Os castelhanos invadiram Portugal pelo Alentejo, na zona de Elvas e pelas beiras.
Após algumas semanas os dois exércitos confrontam-se. Os Castelhanos contavam com o apoio de franceses e do papado de Avinhão. Os portugueses contavam com o apoio da Inglaterra, grande aliada portuguesa e inimiga da França e contavam com o apoio do papado de Roma.
O exército português contava com cerca de 6 000 a 10 000 soldados entre peões, cavaleiros, auxiliares, arqueiros e besteiros. Segundo os estudos mais recentes os castelhanos contavam com cerca de 20 000 a 30 000 soldados tendo uma poderosa linha de cavalaria, bastante temida entre as fileiras portuguesas. Desde cedo, ainda antes da batalha começar, os generais portugueses tentaram diminuir a vantagem castelhana. O exército português colocou-se num terreno relativamente plano, de onde a artilharia castelhana não pudesse tirar proveito. A colocação do exército castelhano ficou prejudicada pois ficaram contra o sol, reduzindo a sua capacidade de visão, o reduzido comprimento do campo de batalha impediu os castelhanos de criar um linha de ataque vasta obrigando-os a comprimir o seu exército. A tática usada pelos portugueses, foi uma inovação a nível militar pois as táticas medievais, baseavam-se na colocação dos soldados em linhas e num confronto entre duas grandes linhas. Na batalha de Aljubarrota os portugueses e os ingleses criaram uma tática, na qual os arqueiros estavam nas alas e recuavam para cobrir os flancos assim que os inimigos se confrontassem corpo a corpo com os soldados de infantaria. Quando a batalha se iniciou os exército português encontrava-se protegido por armadilhas colocadas estrategicamente no campo de batalha, como estacas afiadas ou buracos cobertos de folhagem de forma a destruir as cargas de cavalaria.
No início da batalha os soldados castelhanos avançaram numa só frente contra as defesas luso-britânicas. Os soldados portugueses preparam-se para o confronto. Os arqueiros bombardearam as linhas castelhanas tendo causado baixas, a cavalaria ficou bloqueada nas armadilhas e grande parte acabou por abandonar o campo de batalha ou acabou morta. Quando a restante linha de ataque colidiu com a linha defensiva a diferença já não era tão substancial, a artilharia recuou para cobrir os flancos e a retaguarda avançou para apoiar a vanguarda que começava a ceder. Uma das alas portuguesas foi proteger os mantimentos portugueses, a outra avançou para atacar os soldados de retaguarda e aqueles que começavam a retirar. Ao fim de uma hora de batalha os soldados castelhanos foram obrigados a retirar. O rei teve de abandonar Portugal e viu-se confrontado com a situação oposta, os portugueses estavam a preparar-se para invadir Castela. As baixas castelhanas foram elevadíssimas, contudo a maioria dos soldados morreu devido à retirada mal planeada. Muitos soldados castelhanos foram mortos pelas populações portuguesas que sentiam raiva e ódio dos invasores. Existem três grandes causas para a derrota dos castelhanos nesta batalha, que parecia perdida. A primeira razão deve-se ao facto dos castelhanos estarem a invadir um território que lutava pela independência, pelo que os portugueses encontravam-se mais motivados para a batalha, outra das razões prende-se com o facto de parte do exército e até mesmo o rei estarem doentes ou debilitados, com batalhas anteriores, como o cerco de Lisboa e por último e a mais importante deve-se ao facto dos portugueses terem utilizado uma nova tática militar, terem colocado armadilhas e terem escolhido o terreno e o posicionamento dos exércitos.
Esta não foi a última confrontação entre portugueses e castelhanos durante o interregno, todavia foi esta a decisiva batalha que desmotivou o exército castelhano e o incapacitou. De lutar pela conquista do reino de Portugal.
A vitória de Aljubarrota possibilitou, aos portugueses terem uma verdadeira independência de Castela e colocou Portugal numa posição ideal para iniciar os descobrimentos e iniciar a época de ouro da história nacional.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Anos Pré Segunda Guerra Mundial


Nos primeiros anos da década dos anos vinte, os partidos fascistas começaram a ser criados por todo o Mundo, com especial incidência, nos países da Europa. A ideologia fascista defendia a criação de um estado forte, dependente apenas de si não dos outros para subsistência. Outra das grandes ideias defendidas pelos partidos de extrema direita era o combate ao comunismo e a maior intervenção na economia com a aplicação de medidas como a proibição da greve e das manifestações e a criação de cooperativas. O primeiro país a ser governado por um regime fascista foi a Itália. No mês de outubro do ano de 1922 Mussolini marchou sobre Roma, com o objectivo claro de tomar o poder, fez-se acompanhar por três colunas militares e muitos apoiantes civis que se mostraram de acordo com as ideias deste líder. No ano de 1924 Mussolini obtêm uma maioria de 65% no senado italiano, todavia esta maioria apenas foi obtida através da pressão e da violência exercida sobre a população. Mussolini contava com o apoio das milícias armadas e da enorme propaganda, muito praticada por estes partidos políticos. Um ano antes já Hitler tentara implementar este regime político na Baviera, contudo falhou e foi preso. Durante os anos em que esteve preso, escreveu o Mein Kampf um livro segundo o qual todos os nazis deveriam reger os seus princípios. A partir dos anos de 1929 a popularidade destes regimes aumentou devido à grande crise económica existente em todo o Mundo. Na Inglaterra o partido fascista ganhava cada vez mais popularidade. Na Alemanha e por toda e Europa a miséria e o desemprego aumentavam de forma drástica, sem que contudo os governos democráticos conseguissem resolver os problemas sociais que afectavam a população. A partir do ano de 1933 a situação começa a melhorar na Alemanha e nos Estados Unidos da América. Estes dois países sofreram realidades totalmente diferentes. Na Alemanha Hitler subiu ao poder através da propaganda e da repressão da população Hitler não ganhou as eleições na Alemanha, contudo foi o único que se disponibilizou, no ano seguinte tornou-se também presidente da Alemanha juntando os dois grandes cargos governamentais da Alemanha. Nos E.U.A. o presidente Roosevelt sobe ao poder através de uma eleição democrática. Imediatamente após a eleição este novo presidente colocou em prática um novo plano económico com novas medidas, como a maior intervenção do estado na economia, e a criação de grandes obras públicas, para dinamizar a economia. A partir do ano de 1933 a Alemanha começou a recuperar económica e financeiramente. Também a Inglaterra e a frança tinham já alguma recuperação tendo, a Inglaterra voltado aos seus valores de produção elevados. Na França o regime uniu-se na União de Esquerda e voltou-se mais para a acção social, tendo garantido um subsídio de férias à maioria dos franceses.
No ano de 1936 a Alemanha nazi estava já recuperada da grande crise, preparava agora a nova fase do terceiro Reich. O Tratado de Versalhes era considerado uma vergonha para Alemanha, pois impedia a Alemanha de ter um exército superior a 100 000 homens, de poder ter aviação, marinha ou artilharia pesada. Outra das condições era o pagamento de multas aos países vencedores e uma das maiores humilhações era o facto da Alemanha ter perdido a Alsácia-Lorena e a região do Ruhr para a França.
No ano de 1936 a wehrmacht ocupou a zona desmilitarizada da Renânia e iniciou uma corrida feroz aos armamentos, em especial, da artilharia e de forças navais e aéreas.
A Itália, a Alemanha e o Japão, império que desde o início da década de trinta se expandia para a China e para o Pacífico, celebraram tratados de aliança criando o “Eixo”.
No ano de 1938 a Alemanha era já uma das maiores potências militares do mundo tendo anexado a Áustria de forma pacífica. A cidade de Viena possuía o dobro das reservas de ouro e divisas em comparação com a cidade de Berlim. A anexação da Áustria permitiu aos nazis um aumento da produção, das reservas energéticas e das matérias-primas algo bastante importante para os planos de Hitler. Neste mesmo ano Hitler alertou os seus generais para que a partir do mês de Outubro estivessem prontos para a dissolução da Checoslováquia. No dia 15 de Setembro reuniram-se os primeiros-ministros da França e da Inglaterra juntamente com Hitler para discutir a questão checa. Os três líderes concordaram em ceder a região dos sudetas (região com maioria da população germânica) ao Reich, em contrapartida Hitler comprometia-se a não avançar sobre mais nenhuma região na Europa.
Esta promessa não foi cumprida, passadas apenas três semanas a restante Checoslováquia foi invadida, esta invasão permitiu ao III Reich a ocupação de uma lucrativa indústria bélica e de alimentos, permitiu ainda aos alemães ocuparem-se de material bélico ligeiro e pesado e permitiu a abertura de uma porta para a invasão da Polónia. Devido a vários factores económicos e militares a polónia foi invadida no dia 1 de Setembro de 1939. Começou assim a maior e mais sangrenta guerra da Humanidade.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

A Sociedade de Ordens em Portugal


Até à revolução liberal no ano de 1820 o regime político e social português baseava-se na sociedade de ordens.
Tal como em França e em Espanha, a sociedade estava dividida em classes. O rei, figura máxima da época, controlava os três poderes (legislativo, executivo e judicial). As classes sociais dividiam-se entre o clero, a nobreza e o terceiro estado. A sociedade encontrava-se bastante hierarquizada, tendo cada estado os respectivos privilégios. A partir do ano de 1739, o título de «Excelência» passava a estar reservado aos grandes senhores e aos altos prelados; o de «Senhoria» era atribuído aos bispos, cónegos, aos viscondes e aos barões ou então aos fidalgos da câmara real, o de «Vossa Mercê» era atribuído a todos os nobres e clérigos abaixo deles.
Em todas as sociedades do Antigo Regime um indivíduo nunca estava isolado, pertencendo sempre a uma classe social.

quinta-feira, 1 de março de 2012

A Fundação e Ascensão dos Fascismo Italiano


Após o fim da primeira guerra mundial, as democracias ocidentais enfrentaram inúmeros problemas sociais, económicos e políticos.
A guerra trouxe o surgimento das democracias, e dos novos estados europeus, não obstante trouxe ainda graves consequências económicas. Os países europeus enfrentavam elevadas taxas de desemprego e ainda a degradação da qualidade de vida da população. Este descontentamento social deu origem as consequências sociais, como as manifestações, ocupações de fábricas e extensas greves por parte das classes operárias. A crise de 1929, ocorrida inicialmente na América, veio agravar ainda mais as condições de vida da população europeia. O comunismo tinha conseguido ocupar o poder no antigo império russo, e luta agora para a ocupação dos outros países. Assustados com as consequências de um governo comunista as classes mais altas viram-se obrigadas a apoiar os partidos antidemocráticos de extrema-direita.
O primeiro estado europeu a tornar-se num regime ditatorial de extrema-direita, foi a Itália. O regime ditatorial assentava-se em importantes princípios ideológicos, como a criação de um estado forte e disciplinado, no qual todos os indivíduos deviam submeter-se, este mesmo estado era comandado por apenas um indivíduo. Outro dos princípios era a existência de um único partido, de onde eram escolhidos os dirigentes políticos. A criação de corporações profissionais comandadas pelo estado, e com a intenção de controlar os preços e os salários eram também um princípio dos estados fascistas. Contudo estes estados defendiam ainda o nacionalismo e o imperialismo, tendo a Nação como valor principal, sendo os estados fascistas superiores às outras nações. O aumento de território, para que nenhum estado fascista dependesse de outro era um princípio de extrema importância.
A Itália foi um dos países europeus que mais sofreu com as consequências da guerra e da crise americana. Os governos liberais não conseguiam manter a paz, sendo as manifestações, greves, confrontos sociais e ocupações de fábricas e explorações agrícolas algo muito comum na Itália. No ano de 1919 Benito Mussolini criou o partido fascista italiano. Este novo partido tinha os objectivos de colocar a população num nível de vida superior e tinha ainda outros objectivos como a criação de emprego, a eliminação dos sindicatos, dos partidos democráticos e do partido comunista. A adesão a este novo movimento, crescia de dia para dia. Passados apenas dois anos anos o partido fascista italiano tinha já 35 dos 520 no Parlamento. Em Outubro de 1922 Mussolini, marchou sobre Roma acompanhado por milhares de apoiantes. O rei italiano temendo uma guerra civil colocou Mussolini no poder. No ano de 1924, e após novas eleições, Mussolini ganha 65% dos lugares no parlamento, muito devido às perseguições e ao medo infligido pelas suas milícias e pela intensa propaganda nas rádios e nos jornais. A partir deste ano a Itália passa a ser o primeiro estado fascista da Europa, sendo o estado a controlar a economia através das corporações, e passa a controlar a educação através da Juventude Fascista.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Grande Crise do Capitalismo Económico nos anos 30


Ao longo dos anos 20 a economia americana teve um elevado crescimento. A indústria e a agricultura tiveram grandes produções. Um milhão de americanos investia diariamente na bolsa de Nova Iorque, todavia as acções estavam 400% sobrevalorizadas. Este cenário dá-se devido à especulação. No dia 24 de Outubro de 1929 dá-se o crash na bolsa de valores, mais de treze milhões de acções são vendidas nesse dia abaixo do seu valor real. Tal atitude aconteceu devido à falta de compradores nesse dia e à tentativa da respectiva venda através da baixa do valor das acções.
O grande crash trouxe graves consequências a nível social, entre elas, o aumento drástico do desemprego, da miséria e do número de pessoas na fila da sopa dos pobres. Em apenas um ano dois milhões e meio de trabalhadores perdem o emprego, apenas nos Estados Unidos da América. As consequências sociais eram gravíssimas. As empresas estavam com grandes dificuldades financeiras e a maioria abriu falência, aumentando o número de desempregados.
Apesar de o problema ter começado nos Estados Unidos América rapidamente se espalhou a países bastante dependentes da economia americana, como o Chile.
O Chile dependia dos EUA, uma vez que os americanos eram o principal comprador das matérias-primas chilenas. Após o início da crise nos Estados Unidos da América, as empresas americanas reduziram ou pararam de comprar estas matérias-primas, essenciais para a sobrevivência da economia chilena. As minas chilenas começaram a dispensar empregados e muitas fecharam portas.
Após o fim da primeira guerra mundial toda a Europa ficou destruída e os Estados Unidos da América financiaram a recuperação dos países Europeus. A grande falência dos bancos americanos causou graves problemas financeiros na Europa, e diminuiu os empréstimos. Esta situação teve elevadas consequências na Grã-Bretanha, onde o desemprego aumentou para níveis elevadíssimos devido ao encerramento dos estaleiros navais, uma das maiores indústrias empregadoras na Grã-Bretanha. Também a Bélgica sofria as consequências da grave crise americana. Os mineiros belgas foram despedidos, uma vez que os minérios baixaram drasticamente de valor e as encomendas tiveram uma forte queda. Perante estes cenários de forte instabilidade política, a população dos grandes países europeus via-se desiludida com os sucessivos governos que aconselhavam a esperar que o mercado voltasse a regularizar. Os partidos de extrema-direita e o partido comunista começaram a ganhar apoiantes. Na Itália, onde a situação era de extrema gravidade, o partido fascista italiano alcançou o poder. Na Alemanha a situação tornou-se idêntica e no ano de 1933 Hitler toma o poder. Na Suécia os problemas foram resolvidos de forma mais democrática uma vez que o partido social-democrata subira ao poder e implementara um programa de reformas bem concebido, tendo em vista o crescimento da economia e o seu desenvolvimento.
Nos Estados Unidos a situação continuava difícil. Em Chicago a população arrancava a madeira para se aquecer pois não existia dinheiro para se comprar carvão e não existia subsídio de desemprego. No ano de 1932 já um quarto da população activa americana estava desempregada e as dificuldades eram imensas. Muitos procuraram emprego na agricultura, todavia os agricultores não tinham muitos postos de trabalho disponíveis e confrontavam-se com a abrupta descida dos preços dos produtos. Revoltados com estas descidas, muitos agricultores destruíam produtos alimentícios, como forma de protesto, travando a drástica descida dos preços.
No ano de 1933 é eleito o presidente Franklin Delano Roosevelt, imediatamente executa um detalhado plano de recuperação económica, o New Deal. Segundo este novo presidente o estado deveria intervir na economia de forma a resolver os problemas. A população americana acolheu bem estas medidas, uma vez que criavam emprego e crescimento económico. Entre as medidas criadas destacam-se a criação de novos organismos públicos criadores de emprego, a concessão de novos subsídios agrícolas, e a construção de novas infra-estruturas criadoras de emprego. O povo americano voltou a acreditar na recuperação económica e no crescimento económico. No Sul vários agricultores foram expulsos das terras pelos seus proprietários, uma vez que o estado financiava a destruição da cultura de algodão.
Na Europa também as esperanças foram renovadas. A Grã-Bretanha voltou a ter crescimento económico quando os estaleiros navais reabriram, devido ao rearmamento da Alemanha e ao perigo eminente de uma nova guerra.
No Chile as esperanças voltaram, juntamente com os empregos. As grandes potências europeias e os Estados Unidos voltaram a necessitar dos nitratos e do cobre para as suas indústrias e para a criação de armamento bélico.
Podemos concluir que a Crise foi ultrapassada devido ao New Deal, na América. Na Europa a crise foi ultrapassada pela implementação dos regimes de extrema-direita, ou pelo rearmamento dos países devido à ameaça de uma nova guerra.